Engenheiros
Joffre Mozart Parada
Jofre Mozart Parada nasceu em Vianópolis (GO) em 18 de dezembro de 1924. Formado em engenharia de Minas de Metalurgia e Civil em 1949, foi professor e fundador da Escola de Engenharia do Brasil Central (EEBC), atualmente incorporada à Universidade Federal de Goiás. Em 1955, quando Juscelino nem tinha sido eleito presidente, soube da promessa do candidato de que iria transferir a capital para o Planalto Central e não pensou duas vezes. Mudou-se para Luziânia na expectativa de participar desse momento histórico. Ali começou a fazer parte da Comissão de Cooperação para a Mudança da Capital Federal, então dirigida pelo Dr. Altamiro de Moura Pacheco com o total apoio do Governador de Goiás, Juca Ludovico.
Engenheiro encarregado dos serviços técnicos da Comissão de Cooperação fica encarregado da tarefa de esquadrilhar fotografias aéreas da empresa Geofoto. A ideia é delimitar os limites das fazendas dentro do perímetro do novo Distrito Federal. Sua missão era visitar todas as fazendas dentro do perímetro escolhido para ser o Distrito Federal, fixar os limites de cada uma, criando condições para que os proprietários tirassem a escritura das terras, dando início à desapropriação, inicialmente feita pelo Estado de Goiás.
Em abril de 1957 foi convidado por Bernardo Sayão, então um dos Diretores da Novacap, a trabalhar como seu assistente, tornando-se o engenheiro-chefe da Divisão de Topografia Urbana da Novacap. Braço direito de Sayão, não desgrudava da régua de cálculo, ficando conhecido como o “homem da régua”.
Entre 1958 e 1961 trabalhou como engenheiro-chefe da Divisão de Estudos e Projetos da Novacap, além de exercer, entre 1959 a 1960, o cargo de perito-avaliador em 185 processos de desapropriações amigáveis feitas pela comissão de Cooperação para Mudança da Capital Federal.
Com o fluxo grande de trabalhadores na região, o então prefeito de Brasília Israel Pinheiro nomea comissão para escolher um local onde fosse construída uma cidade provisória. Jofre Parada fazia parte da Comissão e coube a ele e equipe, após escolha do local, demarcar a estrutura urbana da Cidade Livre, além de assumir a condição de prefeito. Com a vitória do projeto do Plano Piloto por Lúcio Costa ficou encarregado de fazer a marcação do lugar, fincando a Estaca Zero no encontro do eixo rodoviário e monumental.
Após Lecionou na Universidade de Brasília (UnB), onde também coordenou o Instituto Central de Geociências. Faleceu em Brasília em 9 de dezembro de 1976.

Carioca da gema, nascido na Tijuca em 18 de junho de 1901, remador do Botafogo de Futebol e Regatas, assíduo e admirado petequeiro no Posto 2 da praia de Copacabana, Bernardo Sayão Araújo Carvalho graduou-se engenheiro-agrônomo em Belo Horizonte, Minas. A primeira vez que colocou os pés em Goiás foi em 1939. Com o aval do governo Vargas comandou arrojado projeto de colonização na região dando origem à cidades como Ceres. Governou o estado de janeiro a março de 1955 e era o Vice-governador quando JK visitou o lugar onde seria construído a nova capital pela primeira vez. A pista onde o avião aterrissou naquele 2 de outubro de 1956 foi construída por ele.
Tinha paixão pela construção de estradas. Dinâmico e arrojado desbravador, sabia pensar grande e tinha preocupações políticas e sociais. Adorava desafios. Tido como o Fernão Dias do século 20 por JK, aceitou a incumbência de fazer a estrada Belém-Brasília, mais de dois mil quilômetros, dos quais seiscentos em plena mata virgem e fechada. Bandeirante moderno, rasga a mata em cima de um trator, inspeciona a região de avião. Reservava para si as tarefas mais árduas e perigosas e as executava com inextinguível bom humor. Quem o conheceu e viu nos canteiros de obras reconhece como imagem clássica do pioneiro chapelão na cabeça, rosto queimado de sol, suando em bica.
Em 15 de janeiro de 1959, na abertura da estrada, enorme galho de árvore cai sobre a barraca onde estava, ficando gravemente ferido. Morreu no mesmo dia, no helicóptero que o levava em busca de socorro médico. O corpo foi o primeiro enterrado no cemitério de Brasília, Campo da Esperança. Em sua homenagem, a Belém-Brasília recebeu o nome oficial de Rodovia Bernardo Sayão.
Atahualpa Schmitz da Silva Prego
A construção do Aeroporto de Brasília se confunde com a figura de Atahualpa Schmitz da Silva Prego, responsável pela construção do espaço. Hoje com 89 anos e morando no Rio de Janeiro, o engenheiro civil que tem orgulho de dizer que é rubro-negro, foi um dos primeiros cariocas a sujar as botas na terra vermelha de Brasília. Foi em outubro de 1956, poucos dias depois da primeira vinda de JK ao Planalto Central, como chefe da Companhia Metropolitana de Construções, empresa especializada em obras de terraplanagem e pavimentação.
Quem o recebeu no coração do cerrado foi o então diretor da Novacap Bernardo Sayão que, acompanhado do seu braço direito, Joffre Mozart Parada, lhe forneceu plantas com as coordenadas geodésicas e topográficas da região. Estava sacramentada a tarefa de abrir a pista do aeroporto da nova capital.
Durante a construção da pista a empresa Metropolitana montou um acampamento que mais tarde se transformou em um dos bairros do Núcleo Bandeirante. Quem abriu o clarão para que os primeiros barracos fossem erguidos na região foi Atahualpa e sua equipe.
Em setembro de 1957 tornou-se funcionário da Novacap e em junho de 1962 foi nomeado presidente da Novacap pelo presidente João Goulart. Cargo que ocupou durante a segunda metade daquele ano.
Atahualpa Schmitz é um dos maiores especialistas em história técnica de pavimentação no Brasil. É autor do livro A memória da pavimentação no Brasil. É um dos pioneiros na criação e aperfeiçoamento de técnicas de pavimentação que hoje são ensinadas nas universidades.
Hoje morando num casarão no Alto da Boa Vista, no Rio de Janeiro, o engenheiro que construiu o aeroporto de Brasília dedica o tempo entre a paixão pelo Flamengo e a escrita de suas memórias do tempo da construção de Brasília. A obra já tem mais de mil páginas.
Além da pista do aeroporto, pavimentou a Asa Sul, o Lago Norte, algumas estradas parque e trechos das rodovias BR-060 e BR-070. O engenheiro têm dois filhos arquitetos que o brindaram com quatro netos.