Artistas Plásticos

Athos Bulcão
 
 
 

Nasceu no bairro carioca do Catete, Rio de Janeiro, em 2 de julho de 1918. Tímido e caseiro, quando criança Athos Bulcão gostava de misturar fantasia e realidade. Aos quatro anos ouvia Caruso no gramofone e rascunhava desenhos. Atento à sensibilidade da criança, suas irmãs então frequentemente o levavam ao teatro, salões de artes, espetáculos de companhias estrangeiras e óperas.

Aos 21 anos, depois de desistir do curso de medicina, passa a se dedicar com exclusividade às artes visuais, realizando sua primeira exposição individual em 1944, na inauguração da sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil, no Rio de Janeiro. Em 1945 trabalha como assistente de Cândido Portinari no painel de São Francisco de Assis da Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte. Ali conhece Oscar Niemeyer, que iria mudar sua vida para sempre, ao convidá-lo a morar em Brasília em 1957.

Antes, o artista passa uma temporada em Paris até 1949, onde frequenta cursos de desenho e litografia. De volta ao Brasil, é contratado pelo Ministério da Educação e Cultura para o Serviço de Documentação, desenhando capas e ilustrações para livros e revistas. Em 1955 inicia o período de colaboração efetiva com Niemeyer com a criação dos painéis externos do Hospital Sul América (atual Hospital da Lagoa), no Rio.

Contratado pela Novacap em 1957, começa a trabalhar nos projetos de Brasília, eternizando seu estilo singelo e geométrico dos azulejos da Igrejinha à fachada do Teatro Nacional Claudio Santoro. Do painel do Aeroporto às paradas do Parque da Cidade. São inúmeros relevos, painéis e divisórias espalhados por edifícios públicos, praças, escolas e prédios residenciais em perfeita harmonia com os traços dos arquitetos Oscar Niemeyer e João Figueiras Lima (o Lelé).

Em 1963, a convite de Darcy Ribeiro, começa a lecionar na Universidade de Brasília (UnB), no Instituto de Artes da Universidade, espaço que ajudou a erguer e decorar. Um dos primeiros artistas a se radicar em Brasília, Athos Bulcão morreu em 31 de julho de 2008. A cidade que escolheu para viver grande parte de sua vida guarda o maior acervo de painéis do artista, mas há obras dele em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, Itália e França.


Alfredo Ceschiatti
 
 
 

Um dos principais escultores do modernismo brasileiro, Alfredo Ceschiatti, filho de pais italianos, nasceu em Belo Horizonte no dia 1 de setembro de 1918. Antes de se apaixonar pela escultura, viaja pela Itália no final dos anos 30 graças a uma bolsa do governo daquele país que privilegia filhos de imigrantes. Encanta-se com as obras dos artistas renascentistas. Na volta, reside no Rio de Janeiro, ingressando na Escola Nacional de Belas-Artes.

Em 1945, atendendo ao convite de Oscar Niemeyer, realiza o baixo-relevo do batistério da Igreja São Francisco de Assis, na Pampulha, Belo Horizonte. Com essa obra ganha o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro, permanecendo na Europa até 1948.

Sempre fiel à expressão plástica decorativa, deu início à sua colaboração com Niemeyer, contribuindo com várias obras marcantes em Brasília. É dele As banhistas, bronze no espelho d’água do Palácio da Alvorada, A Justiça, granito em frente ao Supremo Tribunal Federal, Os anjos e Os evangelistas, suspensos no céu da Catedral e As gêmeas, bronze, cobertura do Palácio Itamarati. A obra O contorcionista é considerada monumento em movimento. A escultura em bronze não polido foi criada em 1952, mas só 28 anos depois, em 1980, iria embelezar o foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional.

Entre 1960 e 1961 integra a Comissão Nacional de Belas Artes e com a criação da Universidade de Brasília, leciona escultura e desenho entre os anos de 1963 e 1965. Morre em 25 de agosto de 1989, no Rio de Janeiro, tendo trabalhos expostos nos principais museus brasileiros. Seu talento é reconhecido internacionalmente.


Burle Marx
 
 

O sonho de Burle Marx era ser cantor lírico, mas direcionou todo o dom artístico que tinha para a arquitetura, as artes plásticas e o paisagismo. O envolvimento com Brasília começou nos anos 30, quando ele conhece no Rio de Janeiro o vizinho Lúcio Costa, quem lhe indica os primeiros trabalhos ainda na cidade maravilhosa. A paixão mútua pelos jardins sedimentou uma amizade entre os dois duradoura.

Nascido em São Paulo, em 1909, formou-se em arquitetura pela Escola Nacional de Belas-Artes na Universidade do Rio de Janeiro em 1933. Antes, entre os anos de 1928 e 1929, estudou pintura na Alemanha, onde, frequentador assíduo do Jardim Botânico de Berlim, descobre e se apaixona pela flora brasileira. No futuro, iria valorizar em seus projetos a flora nacional, tema que conhece profundamente.

Entre os mais de 20 trabalhos realizados na nova capital estão os projetos originais do Parque da Cidade, Jardim Botânico, os jardins do Ministério das Forças Armadas (Praça dos Cristais), do Tribunal de Contas da União (TCU), do Itamaraty e da Superquadra 308 Sul. Os jardins da embaixada dos Estados Unidos e do Canadá também foram desenhados pelo paisagista. Para o jornalista, historiador e pesquisador Ronaldo Costa Couto, autor do livro “Brasília Kubitschek de Oliveira”, a contribuição da arte de Burle Marx a Brasília nem sempre recebeu o devido destaque. Para ele, a preocupação paisagística é a marca da cidade.

“Burle Marx teve papel marcante na identidade visual de Brasília”, registra o autor.

Paisagista reconhecido internacionalmente, Burle Marx destacou-se também como pintor, arquiteto, designer de joias, tapeceiro, ceramista, além de ser um dos pioneiros no Brasil na luta à favor da ecologia. Foi um incansável militante na luta contra o desmatamento. Morreu em 4 de julho de 1994, no Rio de Janeiro, vítima de câncer.

No acervo do Arquivo Público podem ser encontrados para pesquisa imagens e publicações sobre o artista.


Marianne Peretti
 
 

Uma única mulher se sobressaiu em toda a equipe do arquiteto Oscar Niemeyer durante a construção de Brasília. Seu nome é Marianne Peretti e se destacou na arte de embelezar a cidade com a leveza, transparência e delicadeza de seus vitrais. O mais famoso deles enfeitam um dos monumentos mais simbólicos da nova capital: a catedral. “É minha obra favorita, mas foi a que mais me cansou. Era tudo muito grande e deu muito trabalho, cansaço e responsabilidade”, lembraria anos mais tarde.

O jeito como essa pernambucana nascida em Paris passou a fazer parte da rotina da nova capital, a partir da interferência de seu trabalho, foi no mínimo inusitado, meio que por acaso. Maravilhada com o projeto de um prédio desenhado por Oscar Niemeyer, no início dos anos 70, em Milão, Itália, ela cismou que um dia iria conhecer o arquiteto. Não deu outra, numa viagem de volta ao seu estado natal, fez uma escala no Rio de Janeiro e resolveu se apresentar a Niemeyer na cara dura. “Simplesmente bati na porta dele e disse que queria trabalhar com ele. Ele deve ter gostado de mim porque depois de três meses voltei e ele me deu um monte de trabalho, todos de Brasília”, recordaria.

Educada na capital francesa, onde estudou desenho e pintura na École des Arts Décorraftis e na Academie de La Grande Chaumiére, desde criança o gosto pelas artes se manifestou na vida de Marianne Peretti. Em 1952, aos 25 anos, apresentou sua primeira exposição na Place Vendôme, em Paris, evento que contou com a presença de Salvador Dalí. Mas só abraçaria mesmo os trabalhos com os vitrais e painéis de relevo quando voltou ao Brasil e, separada do marido, teve que sustentar a casa. Não parou mais.

Os primeiros trabalhos seriam para a grife de Joias da H. Stern de São Paulo. Mas ficaria reconhecida nacional com suas obras em parceria com o mestre Oscar Niemeyer. Seus vitrais modernistas e coloridos podem ser vistos em prédios públicos como o Congresso, Palácio do Jaburu, Memorial JK, Panteão da Pátria e Teatro Nacional. Além dos vitrais e painéis, Marianne Peretti também desenhou esculturas, a mais conhecida delas o pássaro de bronze polido do hall do Teatro Nacional.

Hoje uma senhora de 88, Mariane Peretti contribuiu intensamente para a visualidade moderna de Brasília junto com artistas plásticos como Alfredo Ceschiatti e Athos Bulcão.