Mapa de Todo O Campo Grande, Cabeceiras do Rio de São Francisco e Goiazes
Apresentação/Leitura paleográfica
- Mapa de todo o Campo Grande, cabeceiras do rio de São Francisco e Goiazes
No período entre 1695 a 1790, Minas Gerais chegou a ter mais de cem Quilombos e “na década de 1740, a capitania vivia um paradoxo. De um lado, ocorria o crescimento da população nas áreas de mineração, por outro, o ouro era cada vez mais escasso. Esse fato, provavelmente, obrigou um grande número de pessoas a buscarem alternativas de sobrevivência, passando, dessa forma, a disputar com os negros as terras afastadas do núcleo minerador, até então ocupadas, pelo menos em parte, por Quilombos”.1
O Governador de Minas Gerais, José Antônio Freire de Andrade, ameaçado por essa situação, promoveu uma guerra contra os Quilombos, comandada pelo Capitão Antônio Francisco França de Burena e ordenada pelo Conde de Bobadela, irmão do Governador de Minas Gerais. A conquista dos sertões de Campo Grande fiou sob a responsabilidade do Capitão Bueno do Prado, enquanto a conquista dos sertões do “Piumhi” e das cabeceiras do São Francisco ficou a cargo de Diogo Bueno da Fonseca.
Foi a partir desse contexto que foram organizados dois importantes documentos para os quais os historiadores chamam de “Cartografia dos Quilombos”. O mapa publicado neste GUIA é provavelmente um exemplar elaborado a partir do mapa original que pertence ao Instituto de Estudos Brasileiros da USP e está na Coleção da Família Almeida Prado: “Mapa de todo o campo Grande tanto da parte da Conquista, q’ parte com a Campanha do Rioverde, e S. Paulo, como de Piuhy Cabeceyzas do Rio de S. Francisco, e Goyazes Naentrada que se fez p.a os certoes das conquistas do Campo grande por ordem do Ill.mo S.r Conde de Babadela como se ordenou ao Capp.am Antônio Francisco França”.
O mapa, sob a custódia da USP, possui muito mais informações que o mapa do Arquivo Histórico do Exército. Segundo SILVA FILHO, mostra que “as décadas de 1740 e 1750 foram marcadas por um intenso processo repressivo aos Quilombos. A campanha de 1746 partiu de Ponte Alta, lugar que provavelmente localiza-se na região do centro-oeste de Minas. Acredita-se que as expedições da década de 1740 tenham se dedicado ao combate aos Quilombos das regiões das atuais cidades de Formiga, Cristais, Bambuí e Piumhi. Há indícios de que as autoridades conheciam a localização dos Quilombos, uma vez que as expedições tinham o objetivo de destruí-los, e não de localizá-los, de acordo com os registros presentes no mapa em foco. […] De acordo com a nota explicativa anexa ao documento histórico, o mapa teria sido confeccionado pelo Capitão Antônio Francisco França no formato de uma rede de drenagem dendrítica arborescente, ou seja, apresentando a disposição dos rios formando um esgalhamento. Faz referência à procura por ouro, às dificuldades enfrentadas pela expedição e à destruição de pelo menos um desses Quilombos”.1
Leitura paleográfica:
Mappa de todo o Campo grande, tanto da parte da conquista que parte com a campanha do Rio Verde e S. Paulo como de Piuhy Cabeceiras do Rio de S. Francisco e Goyazes.
Referências:
1 – SILVA FILHO, Edson da; AMORIM FILHO, Oswaldo Bueno; CASTRO, José Flávio Morais. A contextualização histórica e geográfica dos quilombos do Campo Grande. Iº Simpósio Brasileiro de Cartografia Histórica. Paraty, 10 a 14 de maio de 2011. Disponível em: <https://www.ufmg.br/rededemuseus/crch/simposio/SILVA_FILHO_EDSON_ET_AL.pdf>. Acesso em: 21 ago. 2013.
2 – MARTINS, Tarcísio José. Quilombo do Campo Grande – História de Minas que se devolve ao povo. Minas Gerais, Santa Clara, 2008.
Fonte – Arquivo Histórico do Exército
Medidas – 68,5 cm × 46,5 cm.
Data – s.d.
Localização – CO-GO-10.01.2079