Mapa dos rios do Pilar

Apresentação/Leitura paleográfica

O contexto e as razões para elaboração do “MAPA DOS RIOS DO PILAR” são os mesmos descritos para o mapa “VILA BOA DE GOIÁS E TUDO O QUE PERTENCE AO SEU TERMO” do acervo do Arquivo Histórico Ultramarino, apresentado neste GUIA na p. 67.

Como ali é apresentado, estes dois mapas foram enviados anexados à carta-relatório escrita pelo “Ouvidor Geral” de Goiás, Antônio da Cunha Soutto Mayor em 30 de abril de 1758.1,2

A carta-relatório refere-se explicitamente a este mapa ao afirmar: “segue-se o mapa dos rios do Pillar”. Foi em função desta afirmação que o presente mapa que era identificado até o momento na cartografia como “REGIÃO ENTRE OS RIOS MARANHÃO E CRIXÁS”, é nomeado neste GUIA como “MAPA DOS RIOS DO PILAR”.1

A carta-relatório também faz referência aos arraiais representados neste mapa: “há neste continente, quatro arraiais seguintes as justiças de Nossa Senhora do Pilar, a saber, este; o de Guarinos, o de Nossa Senhora da Conceição de Crixás, situados da parte do Norte, e o de São Sebastião do Bority, da parte do Leste”.1

“O desenho simples, uma bela representação artística elaborado pelo juiz Antônio dos Santos Silva, com base nas experiências de viajantes, evidencia que o processo de construção da cartografia dos sertões não aconteceu somente por meio do saber técnico-acadêmico. Na representação, destaca-se a hidrografia em cor verde numa forma que lembra os tentáculos do polvo. Os povoados são representados em traços parecidos com nuvens na cor vermelha, diferente da simbologia adotada na época. Contém os pontos cardeais Norte, Sul, Oeste e Leste, sem cartela com legenda. Os rios que banham os arraiais do Distrito de Pilar, são: Santo Antônio, Crixaz, Soberbo, Calhamarez, Guarinos, São Pedro, do Peixe, Vermelho, São Patricio, das Almas, orientados pelos pontos cardeais, conforme descritos pelo juiz ao Ouvidor Geral.”2

Referências:

1 – Goiás – AHU_ACL_CU_008, Cx. 15, D. 892, de 30 de abril de 1758. Carta do ouvidor geral e corregedor de Goiás, Antônio da Cunha Soutomaior, atendendo à solicitação real por informações sobre os arraiais para a execução da Carta Geral do Brasil.

2 – VIEIRA JÚNIOR, Wilson. Cartografia da Capitania de Goyaz do século XVIII: intenção e representação. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

3 – FARIA, Maria Dulce de. Catálogo da Coleção Cartográfica e Iconográfica Manuscrita do Arquivo Histórico Ultramarino. Rio de Janeiro: Museu de Astronomia e Ciências Afins, 2011, p. 374.

Fonte – Arquivo Histórico Ultramarino

Medida – 42,4 cm × 30,8 cm

Data – Século XVIII

Localização – AHU_CARTm_008, D. 1254