Mapa geral da capitania de Goiás – d-866

Apresentação/Leitura paleográfica

Os dois mapas – D-866 e D-867 – originalmente estavam anexados ao documento ACU_ACL_CU_008, Cx.9, D. 603, de 12 de Setembro de 1753. Estão relacionados ao Ofício encaminhado em 12 de setembro de 1753 pelo Governador de Goiás, Dom Marcos de Noronha, ao secretário de estado da Marinha e Ultramar, Diogo de Mendonça Corte Real. O documento era um relatório da Capitania de Goiás, no qual o Governador informava a respeito dos arraiais, dos postos fiscais e dos caminhos e distâncias entre as minas, além de comentar sobre a arrecadação dos tributos. Anexo a esse Ofício, foram enviados estes dois mapas, sem assinatura e que, mais tarde, foram desmembrados do documento.

Autoria atribuída a Ângelo dos Santos Cardoso, retificando a autoria dada anteriormente a Francisco Tosi Colombina.1

“Pelas características das atribuições de secretário de governo, é de se considerar que o Documento 603, onde os mapas estavam anexados, tenha sido redigido por Ângelo Cardoso, responsável pelo primeiro mapa da Goiás, e assinado pelo Conde dos Arcos. Reforça a suspeita a grafia e o estilo da redação, semelhante ao do documento que Cardoso enviou ao Marquês de Pombal”.1 Neste mapa, podemos perceber as mesmas características do mapa de Ângelo dos Santos Cardoso: “os limites, o Sobradinho, as cabeceiras do rio Maranhão, a grafia de sertão (cabe a observação que em um dos mapas, sertão está grafado Certam). São mapas coloridos, com belas rosas dos ventos cada qual com suas cores e desenhos, legendas com textos semelhantes que referenciam as ilustrações dos arraiais, registros e caminhos, em pontos vermelhos o caminho de Vila Boa ao Mato Grosso, e as zonas de criação de gado sinalizadas. A quantidade de detalhes e semelhanças acaba por atribuir a Ângelo dos Santos Cardoso a autoria do ofício e dos mapas que o acompanha”.1

A capitania está demarcada na cor amarela. Aquarelada nas cores amarela, vermelha, verde, cinza, azul, e branco. Relevo e vegetação representados em forma pictórica. Indica a capital de Vila Boa de Goiás, atual cidade de Goiás, representada na figura de uma casa, lugares de registro de mercadorias (15), tribos indígenas (Xavante, Kayapó, Acuruha), Ilha do Gentio Grumaree, atual Ilha do Bananal, sítios, arraiais e as suas distâncias em léguas entre si. Mostra os caminhos entre os arraiais e da cidade de Vila Boa de Goiás, atual cidade de Goiás, e Cuiabá. Contém demarcação das regiões minerais e criação de gado, nas cores vermelha e azul. Inclui coordenada geográfica. Meridiano de origem: Ilha do Ferro. Os principais rios assinalados são: Tocantins, Sono, Rio das Mortes, Pardo, Taquari, Coxim, Verde, Parnaíba, Arinos, Corumbá, Grande.

Leitura paleográfica:

O sircullo amarello, reprezenta a sircomferença desta Capitania de Goyaz.

Esta figura [residência com uma porta, uma janela e telhado vermelho] representa Villa Boa de Goyaz, aqual servirá de ponto fixo, ou Centro p.a seguir-ce aos mais arayaes, pellos pontinhos pretos, os quaes denotao o caminho e comunicação q. há dehunz p.a os outros; a sua figura he esta [circulo vermelho com traço vertical na parte superior]. Pelo A B C dario se darão os nomes q. eles tem; juntam.te as legoas que vam de hunz a outroz; como nesta coluna se mostra.

Esta figura [círculo preto pequeno] reprezenta os lugares onde estão cituadas os rezistos, q. são 15. Os dous pequenos Circullos, num azul, outro encarnado, não são terras mineraez e so nestas se achão fazendas de gados.

A – Villa Boa Capital de Goyaz.

B – Arraial da Anta.

C – Piloes.

D – Quirixá.

E – Guarinos.

F – Pillar.

G – Agoa quente.

H – Trahiras.

I – S. José.

L – Sta. Rita.

M – Moquem.

N – Chapada de S. Gonçalo.

O – Morrinhos, ou Amaro Leite.

P – Corriola.

Q – Carllos Marinho, ou S. Felix.

R – Chapada do dito asima.

S – Cavalgante.

T – Certão de gado, chamado Paranã.

Y – Arrayaz terras mineraes.

X – Barra da palma, ou terras novas, Certaõ de gados.

Z – Duro, Certaõ onde esta cituada a Aldeya do gentio, por ordem de S. Mag.e.

a – Nativid.e

b – Pontal.

c – Descoberto do Carmo.

d – Ferreiro.

e – Ouro fino.

f – Meya ponte.

g – Jaraguá.

h – S.ta Luzia.

i – S.ta Cruz.

l – Cocaes, descoberto novo.

Esta figura [circulo contendo outro circulo em vermelho] representa os citios. Os pontinhos encarnados q. principia de V.a Boa caminhando p.a Oeste, he a estrada q. vay p.a o Cuyabá.

m – Arayal da Chapa de S. Felix.

n – Arayal da Chapada de S.ta Anna da Nativid.e

Foi mais conveniente afirmarce as Legoas pelos mesmos pontinhos pretos q. servem de caminho, com o algarismo, pondo-lhe o n.o destas, o q. vay de hum arrayal a outro, ficando-lhe a conta em meyo: como se vê.

Referências:

1 – Catálogo de mapas, plantas, desenhos, gravuras e aguarellas/Castro e Almeida. N. 234/235.

2 – FARIA, Maria Dulce de. Catálogo da Coleção Cartográfica e Iconográfica Manuscrita do Arquivo Histórico Ultramarino. Rio de Janeiro: Museu de Astronomia e Ciências Afins, 2011, p. 366.

3 – VIEIRA JÚNIOR, Wilson, SCHLEE Andrey Rosenthal, BARBO, Lenora de Castro. Tosi Colombina, autor do primeiro mapa da Capitania de Goiás? Disponível em: <http://www.altiplano.com.br/1010tosi.html>. Acesso em: 14 fev. 2011.

 

Fonte – Arquivo Histórico Ultramarino

Medidas – 51,3 cm × 36,4 cm, em folha 51,6 cm × 36,5 cm.

Data – 1753

Localização – AHU_CARTm_008, D. 0866 /D.867

Originalmente anexo ao documento AHU_ACL_CU_008, Cx.9, D. 603 – 1753, Setembro, 12.